É, é, é… Que coisa é essa eu escrever meus pensamentos? Atribuir símbolos a eles? Não parece que uma coisa é o símbolo que atribuo ao pensamento (por exemplo, expressando essa coisa chamada pensamento com símbolos como A M O R) e outra coisa é o pensamento? Aquele outro da linguagem, que vem antes dela e a penetra, faz amor com ela e por ela é levado ao mundo. Seria isso o masculino e o feminino?
E também só conhecemos esses tais pensamentos através da linguagem, de modo que mal discernimos isso que é a linguagem, disso que é o pensamento. Daí poder dizer que linguagem é pensamento. Parece que esse é o par mais necessário que existe. Necessita tanto um do outro, que são o mesmo.
Há outros pares também, que existem,… sempre na nossa imaginação. Ser humano e árvore. Parece que uma pessoa abraçando uma árvore combina mais que um homem e uma mulher se abraçando. Porque a pessoa se alimenta do que na árvore sobra; e a árvore se alimenta do que sobra na pessoa. Mas o homem e a mulher e todos que se relacionam entre si se alimentam do que no outro falta, amor. Falta amor porque ele quer se alimentar dela, de amor. E ela de amor quer se alimentar nele. Mas provavelmente se sentem em maior harmonia que o homem e a árvore. Não se sentem como devem se sentir pensamento e linguagem, que não sabem se distinguir. Só dá pra dizer que se sentem, unidos, como algo entre uma coisa e outra, mas ‘algo’ é uma linda palavra para expressar o que não sabemos que seja. É bom demais e não dá pra entender porque não estão todos agora fazendo amor. Em vez disso estamos aqui, lendo blog, escrevendo em blog…
Porque só pra pensar em palavrear tudo o pensamento tem que estar em amor com a linguagem. Nossa parte no mundo é ficar só fazendo amor, homens, mulheres e árvores, todos com todos. Talvez entre as ávores haja também qualquer elo misterioso. Ia dizer algo misterioso, mas vimos que ‘algo’ é já misterioso sem precisar do mistério junto.
Como não podemos viver só fazendo amor, começamos a trabalhar para ganhar o sustento, para amar de novo e de novo. Aí começamos a trabalhar demais. Começamos a proibir fazer amor. Atacamo-lo por todos os lados. De um lado enchemos o sujeito de tarefas e de outro proibimo-lo.
O trabalho tomou do fazer amor a quase toda parte que lhe cabia no gráfico de pizza. E agora só ficamos trabalhando e não fazemos muito amor. Amor tem hora certa, lugar certo, parceiro certo, dia certo. Coitado do amor.
Uma cultura sensual de verdade seria como vivendo para fazer amor, trabalhando para fazer amor, sem se esquecer disso. Seria muito melhor na minha opinião. Seria isso o hedonismo? E por qual motivo mesmo não deveríamos cultivar nosso prazer ao máximo? Incluindo no nosso prazer o prazer de fazer o que é certo, de modo que meu máximo prazer não conseguirá aumentar com o aumento do desprazer que eu cause em outrem. Se isso acontecer me darão a alcunha de psicopata, o que é apenas um descarrilamento do trem, como se colocasse numa fórmula matemática:
prazer em mim —————– prazer no outro
desprazer em mim ——————– desprazer no outro
O de pessoas normais é assim. Seu prazer vai na direção do prazer do outro e não se desvia dele. É só pena que não existem essas pessoas normais, porque nós sempre não desejamos mal a quase ninguém.
Mas era sobre hedonismo, definido como gozar e fazer gozar.
Se eu podesse viver de amor.. morreria!
lembrei do “A vida como ela e”…Pacto de morte. Bom demais.
rsrs, inconha