Não sei bem o que sinto. Por isso escrevo, na esperança de encontrar algum saber aqui. E algum calor no meio das palavras, no meio dos leitores que ainda não estão aqui, mas que virão procurar algo que os distraia da vida. As palavras vão dando substituição ao tempo.
Melhor palavras, mesmo banais, do que o tempo puro e simples. Podia sentar na minha cadeira e ficar contemplando o tempo passar, mas como é solitário perceber o tempo passar! É tão solitário que dá um sono danado. De tudo que encontrei para fazer nessa vida, o mais difícil foi ficar parado em silêncio observando o que é. Não fazer nada é o mais difícil que há para fazer.
Podia dormir. Mas insisto em ficar acordado, como se recusasse acreditar que isso tudo é assim tão vazio mesmo. Não, deve haver algum encanto em qualquer lugar…
Mesmo se já não espero encontrar algum brilho agora, nem no computador e nem nesse ar frio que entra pela porta aberta. Continuo acordado.
Não é mais a esperança que me mantém aqui. Essa banalidade, não sei o que é, a banalidade da vida. Sei que é trivial, mas não é vulgar. Quando se tornar vulgar é que perdeu o mistério. Essa trivialidade me interessa.
Minha “lucidez” é uma pergunta que faço à vida, o silêncio é a resposta. Continuarei perguntando.
E agora que surgiu algo no meio das palavras, já posso dormir.
Adoro palavras soltas e perdidas…. adoro achá-las, porque assim junto com as minhas!
Quando não posso juntar, tento ao menos acalentar um pouco…
Sempre há o que se encantar! :] Sempre!