(Relevar redundância do título)
Sempre me surpreendi um pouco ao ver nas estantes das livrarias tantos livros bonitos sobre ocultismo, bruxaria, tantra, essas coisas. Na verdade nem percebia minha surpresa. Livros grossos, sobre nada. Só agora, ao ler um trecho do livro Breviário de Decomposição, do filósofo Émile Cioran, é que percebi que aquilo não fazia muito sentido para mim. Eu não sabia que pensava isso:
“Quem não se entregou às volúpias da angústia, quem não saboreou em pensamento os perigos da própria extinção nem degustou aniquilamentos cruéis e doces, não se curará jamais da obsessão da morte: será atormentado por ela, por haver-lhe resistido; (…)
Toda experiência capital é nefasta: as camadas da existência carecem de espessura; quem as escava, arqueólogo do coração e do ser, encontra-se, ao cabo de suas investigações, ante profundidades vazias. Em vão terá saudades do ornamento das aparências.
Eis porque os Mistérios antigos, pretensas revelações dos segredos últimos, não nos legaram nada em matéria de conhecimento. Sem dúvida, os iniciados estavam obrigados a não transmitir nada. No entanto, é inconcebível que em tão grande número não se tenha encontrado nenhum só tagarela; o que há de mais contrário à natureza humana que tal obstinação no segredo? O que acontece é que não havia segredos; havia ritos e estremecimentos. Uma vez afastados os véus, o que podiam descobrir senão abismos sem importância?
Só há iniciação ao nada – e ao ridículo de estar vivo.
… E eu sonho com uma Elêusis de corações desiludidos, com um Mistério claro, sem deuses e sem as veêmencias da ilusão.”