Os antigos preconizavam uma boa vida. Refletiam e deitavam critérios para o que poderia ser uma boa vida. Atualmente não somos ensinados a construir algo assim. Somos condicionados a uma vida bem-sucedida. Os critérios são claros e independem de reflexão. Digo, dependem da não reflexão. Todos sabem. É ganhar dinheiro, para ser um bom consumidor de supérfluos.
Parece que todos vivemos com alguma crença mais ou menos consciente sobre o que é uma vida digna de ser vivida. Mas como somos quase todos apenas gados de rebanho, já decidiram por nós o que é essa vida.
Quando adolescente eu só pensava em ser popular no colégio. Era puro narcisismo mesmo, porque nem chegar numa mulher eu sabia (será que hoje eu sei?), nem expressar claramente meu desejo eu conseguia. Mas queria ser desejado.
Depois virei religioso (espírita) e a boa vida me parecia como ser um bom menino, obediente a Deus, que tinha como modelo Jesus e todo o ideal ascético que o acompanha. Meu corpo não compartilhava dessa vontade de ser um bom menino. E se era inibido sexualmente, se era incapaz de abordar uma mulher para realizar com ela meus desejos, me masturbava. Com isso vivia em conflito pois masturbação não faz parte do ideal de vida de um bom menino.
Depois conheci as mulheres. Vi que masturbação continuava sendo bom, mas era melhor estar com uma mulher plenamente. Difícil é estar com uma mulher dessa forma, sem inibições, repressões. Atualmente não procuro me economizar sexualmente, não idealizo a avareza sexual. Mas pelas minhas experiências vivemos numa cultura avara. As mulheres foram ensinadas a serem avaras sexualmente. Vide que uma mulher normalmente não toma iniciativa no cortejo. Mesmo que ela queira conhecer um cara, o que ela pensa é: “Ah, se ele quiser ele que venha até mim. Eu é que não dou minha cara a tapa!” Avareza. Também foram ensinadas a se proteger do sexo, a só se entregarem sob garantias. Avareza. Isso me frustra mesmo. As vezes estou com uma mulher, tudo combinando perfeitamente; e começam os limites, como se a aproximação do ato sexual fosse envolvida por vários perigos. Claro que para mim, que não pretendo me economizar, isso é frustrante. Economia sexual é pura perda de tempo. A única coisa que gasta o corpo é o tempo e a falta de exercícios, nunca o sexo. Também a intimidade não gasta. Digo de novo essas coisas porque vou tentando me esclarecer o que é para mim uma boa vida atualmente. Ora, as mulheres fazem parte essencial do que é uma boa vida para mim hoje. Mas confesso que faço muito menos sexo do que gostaria. E para mim sexo envolve o prazer de conhecer outra pessoa, trocar carícias plenas e intimidade, mesmo que apenas uma vez. Melhor seria ser homossexual talvez. Ter como objeto de desejo os homens, sempre tão disponíveis sexualmente! Mas o número de homossexuais é menor que o de heterossexuais. Então o melhor mesmo seria ser mulher. Se eu pudesse me transportar para um corpo de mulher e desejasse tanto os homens como neste corpo desejo as mulheres, eu iria! Enfrentaria menstruação, preconceito e tudo o mais que pese a vida de uma mulher.
Outro fator que não deixa de me seduzir no que sinto ser uma boa vida é a solidariedade. Li uma coisa que disse o Dalai Lama que me tocou sim. Disse ele que o sentido da vida é fazer o bem para os outros. Já passei pela fase religiosa e hoje vejo tal coisa como ética.
De modo que para mim hoje, juntando as coisas, o ideal de uma boa vida pode ser resumido na lei: gozar e fazer gozar! Este é o meu ideal.