Vivemos numa cultura do poder. E do narcisismo. Não vivemos numa cultura do prazer. Uma cultura deste útlimo tipo teria que estar sustentada na soberania do corpo. A nossa não está. Mesmo quando parece que está, não está. Mesmo nas academias, de forma geral, não temos pessoas que valorizem seus corpos. Valorizam suas imagens. Vide a onipresença dos espelhos. Aprendemos a valorizar nossa imagem para nos sentirmos poderosos. Quanto menos poderosos nos sentimos, mais nos preocupa a imagem que os outros têm de nós. Narcisismo não é auto-estima. Narcisismo é auto-valorização, mas da imagem que passamos. É curioso observar nas academias como ficamos enamorados de nossas imagens nos espelhos, olhando nossos músculos. É bastante infantil a busca desordenada pela imagem ideal, que nunca é alcançada por sinal. É curioso.
Auto-estima é baseada na percepção de si como um corpo, na sensação de si mesmo, no prazer que é ser o que se é. Quem desfruta do prazer de ser, cuida-se. O que significa, cuida do corpo. Aí exercita o corpo, dá a ele o de que necessita, exercício, comidas saudáveis, sono. É muito mais gostoso. Cuida-se do corpo sem que isso seja um peso, uma obrigação. É o óbvio, é prazeroso cuidar do corpo, cuidar de nós.
Sonho viver numa cultura do prazer, hedonista. Não vivemos numa cultura hedonista. Vivemos numa cultura repressiva. Não nos enganemos. O chamado “culto do corpo” é na verdade o culto da imagem. Nossa cultura não cultua o corpo. Se cultuasse seria muito diferente, muito mesmo. Numa cultura do prazer seríamos livres para ter prazer. Eis um truísmo, obviedade. Não somos livres para ter prazer. Se eu tenho uma namorada e conheço outra mulher e nos interessamos um pelo outro e nossos corpos se combinam, mesmo assim o encontro é difícil. Há muitas restrições. Muitas. São necessárias várias garantias para que se possa entregar ao prazer afinal. Isso é maior nas mulheres, que foram muito mais reprimidas. Para que se entregue ao prazer livre, são necessárias garantias, intimidade. Muitas mulheres que se entregam ao sexo no primeiro encontro se frustram, não porque isso é errado, mas porque após o sexo sem garantias (compromisso, segurança de ver essa pessoa de novo) se sentem sem o seu poder pessoal. Sentem-se mal, vazias, porque esperam que o outro vai preencher seus vazios e quando o outro se vai o vazio permanece. Claro, sexo não é garantia de preencher vazio de ninguém. Sexo é encontro de corpos, o que é prazeroso e íntimo mesmo que seja eventual. A intimidade de alguém não é algo a ser protegido da forma como é normalmente. “Ah, eu não entrego minha intimidade para qualquer um!” Que pena, pois a intimidade não se gasta. Antes pelo contrário, ela se fortalece quanto mais se encontra com outra intimidade. Uma pessoa não perde seu poder ao compartilhar intimidades. Talvez perca sua imagem ideal, de alguém assim assado, que aprendeu a amar assim assado, que aprendeu a esperar do sexo e dos outros isso e aquilo. Mas é melhor perder essa imagem logo mesmo. E fazer o que seu corpo pede! E ele pede, exige! Satisfação.
Sócrates teve um discípulo chamado Aristipo de Cirene. Curioso que ele não tenha ficado famoso, mas compreensível. Se vivêssmos numa cultura do prazer ele seria famoso. Foi o primeiro hedonista. Sua lógica era o gozo. “Os adeptos de Aristipo inauguram aquilo que, com Nietzche, poder-se-ia chamar o grande sim à vida, a aceitação da existência na menor de suas eflorescências”. (Michel Onfray – A Arte de ter Prazer) Por isso sou contra as religiões, pois elas o que dizem é essencialmente: “Não!” Não à vida na medida que não ao corpo. Por isso são falsas e nocivas, extremamente nocivas. Mesmo que tenham um papel regulador, que controle as angústias das pessoas, o fazem ensinando-as a dizerem não à vida. Portanto não deve haver condescendência. Religiões, principalemnte cristianismo, hinduísmo e judaísmo, são falsas e nocivas!
Para os hedonistas o gozo vale por aquilo que ele é, não como meio para atingir um fim. Vamos gozar, ponto final. “Obtém-se o prazer onde ele está, como se pode, o resto é literatura de moralista mal-humorado.” (Michel Onfray – A Arte de ter Prazer) Eis uma frase estranha para nós, criados para cercar o prazer de altos cuidados. Mas por mais que tente, não consigo mais ver o que tem de errado nessa idéia!
“Corpo em movimento, carne percorrida por energias agradáveis, desvencilhada de tensões desagradáveis, órgãos suscitados pelo que podem trazer de bem-estar, o hedonismo é uma filosofia da matéria corporal, uma sabedoria do organismo”. (idem)
tomara que um dia, minha cabeça reprimida de mulher me permita enxergar dessa forma. Já que sonhei com um casamento lindo e não aconteceu até hoje.
Pq não viver então tudo que se pode até que amor aconteça. Sexo é uma delícia mesmo.
Já dizia minha mãe, que eu deveria aprender a fazer sexo pelo sexo, e não me apaixonar depois nem me arrepender quando o cara sumir. Vou acompanhar seu blog pra que minha visão mude e eu consiga “open my mind”.
adorei anyway!!
abraços
Mulher de 30