“Nossa vida é um episódio que perturba, sem nenhuma utilidade, a serenidade do nada”.
Muito curioso como senti e sinto prazer ao me deparar com essa frase, escrita por Schopenhauer. Uma frase que ao se encontrar com minha subjetividade, gerou em mim prazer. Variados são os prazeres. Uma delícia a impetuosidade, a verdade quase que extravagante. O melhor vem entre vírgulas, como se fosse um apêndice apenas. Como se começasse a frase violentamente e, entre vírgulas, como que para amenizar o que por si já era feroz, viesse o pior, “sem nenhuma utilidade”. Vivenciei essa frase femininamente, porque atravessado pelo sentido e acolhendo-o lá onde a dor e o prazer são um só.
Sua beleza me seduz de imediato, antes mesmo de acabar. Como um raio que de tempos em tempos rasgasse o Universo à velocidade infinita, o que significa estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Atravessa mas já está no fim e no começo. E julgo que ela seduz pelo paradoxo, pelo inconclusivo, porque sendo o que de mais inclemente atinge nossa angústia e vontade de sentido, também consola. É o maior dos consolos para mim. É um consolo brutal. O paradoxo é a plenitude. É preciso ter um dia rido e chorado absolutamente ao mesmo tempo, para compreender o que é o paradoxo. É o vazio, o silêncio, onde não é uma coisa nem outra e é as duas.