Lendo “O último verão de Klingsor” de Herman Hesse, quis registrar aqui uma parte que gostei e que pretendo ler outras vezes. São 3 histórias no livro. Essa parte é da segunda história, chamada Klein e Wagner:
“Na realidade, só se sentia medo e angústia de uma coisa: deixar-se cair, dar o passo para a incerteza, o pequeno passo para fora de qualquer segurança que pudesse haver. E quem se tivesse uma vez, uma única vez, abandonado, quem tivesse praticado o grande ato de confiança e se entregasse ao destino, estaria libertado. Ele não pertencia mais às leis da terra; caíra no espaço e era levado pela dança das constelações. Era assim.
“Não pensou nessas coisas como se fossem pensamentos. Viveu-as, sentiu-as, tocou-as, cheirou-as, provou-as. Viu a criação do mundo e o declínio do mundo, como dois exércitos que se enfrentavam perpetuamente, sempre em movimento, sem nunca chegar a termo, eternamente em marcha. O mundo nascia constantemente e constantemente morria. Quem aprendia a não resistir, a deixar-se cair, a morrer com facilidade, nasceria sem dificuldade. (…) Procissões de seres vivos marchavam uns contra os outros, e cada qual não se compreendia e se odiava e procurava em todos os outros seres odiar-se e perseguir-se. O anseio de todos era a morte e a paz e o seu objetivo era Deus, era voltar a Deus e permancer em Deus. Esse objetivo criava angústia porque era um erro. Não era possível permanecer em Deus e não havia paz! Havia apenas o eterno, glorioso e sagrado ato de exalar e de aspirar, de assumir forma e ser dissolvido, de nascimento e de morte, de afastamento e de volta, sem pausa e sem fim. Por isso, só havia uma arte, só havia um ensinamento, só havia um segredo: deixar-se cair, não resistir à vontade de Deus e não se apegar a coisa alguma.”
Li este conto. Me emocionei, ri, chorei e me identifiquei.
Somente após uma grande metamorfose nos libertamos. O medo nos castra de emoções necessárias…e o sofrimento de uma grande perda para alguns é o primeiro passo para libertação. Se eu não me deixasse cair nunca saberia o que é renascer e viver livremente. A liberdade dipertou generosidade e compaixão…
Legal Maluh. Que bom que nasceu algo melhor!
Volte sempre.