Um pouco de Eros e Civilização, de Herbert Marcuse:
“As restrições impostas à libido parecem tanto mais racionais quanto mais universais se tornam, quanto mais impregnam a sociedade como um todo. Atuam sobre o indivíduo como leis objetivas externas e como uma força internalizada: a autoridade social é absorvida na “consciência” e no inconsciente do indivíduo, operando como seu próprio desejo, sua moralidade e satisfação. No desenvolvimento “normal”, o indivíduo vive a sua repressão “livremente” como sua própria vida: deseja o que se supõe que ele deve desejar.”
“A organização da sexualidade reflete as características básicas do princípio de desempenho e sua organização social. Freud destaca o aspecto de centralização. É especialmente eficaz na “unificação” dos vários objetos dos instintos parciais num único objeto libidinal do sexo oposto e no estabelecimento da supremacia genital. Em ambos os casos, o processo unificador é repressivo — quer dizer, os instintos parciais não evoluem livremente para um estágio “superior” de gratificação que preserve seus objetivos, mas são isolados e reduzidos a funções subalternas. Esse processo realiza a dessexualização socialmente necessária do corpo: a libido passa a concentrar-se numa parte do corpo, deixando o resto livre para ser usado como instrumento de trabalho. A redução temporal da libido é suplementada, pois, pela sua redução espacial.”
“Originalmente, o instinto do sexo não tem limitações extrínsecas, temporais e espaciais, ao seu sujeito e objeto; a sexualidade é, por natureza, “polimòrficamente perversa”. A organização social do instinto sexual interdita como perversões praticamente todas as manifestações que não servem ou preparam a função procriadora.”
“A Freud deu que pensar por que o tabu sobre as perversões é sustentado com uma tão extraordinária rigidez. E concluiu que ninguém pode esquecer que as perversões são não só e meramente detestáveis, mas também algo monstruoso e terrível — “como se exercessem uma influência sedutora; como se, no fundo, uma secreta inveja dos que as desfrutam tivesse de ser estrangulada”. 48 As perversões parecem fazer uma promesse de bonheur maior do que a da sexualidade “normal”.
“Contra uma sociedade que emprega a sexualidade como um meio para um fim útil, as perversões defendem a sexualidade como um fim em si mesmo; colocam-se, pois, fora do domínio do princípio de desempenho e desafiam os seus próprios alicerces.”
Ticiano seu blog me foi sugerido pela Carol e a agradeço muito por isso!!
Adorei
Beleza então. volte sempre.
Valeu.
Gostei do seu blog!
Encontrei-o pelo google.
Que texto complexo esse heim?!
É meio complexo mesmo. Mas vale a pena ler o livro.
você poderia ter terminado esse texto com um cometário seu. achei que faltou.
sou formada em psicologia, sou mulher, entendo o sexo como uma arte e amei !!
vou acompanhar mesmooooo. kkkkk
abraços